O MAL DAS ‘ITES’

Faringite, amigdalite, rinite, sinusite e otite: saiba o que essas doenças têm em comum e como driblá-las durante a época mais fria do ano.

Por Heloisa Krzeminski | Foto Banco de imagens

Achegada do inverno é sinônimo de dor de cabeça para muita gente, ou melhor dizendo, é sinônimo de nariz e ouvidos entupidos, febre, espirros e dor de garganta. As doenças conhecidas como ‘ites’ fazem parte de um quadro comum de doenças da estação mais fria do ano. A época se torna favorável a estas condições devido a alguns gatilhos relacionados ao ambiente. No despencar dos termômetros, o ar fica mais seco e isso resseca as mucosas do aparelho respiratório, impedindo a produção de secreções com anticorpos para a defesa do organismo. Frequentar lugares fechados para fugir do frio também é muito comum, por isso a pouca circulação de ar e ausência de sol permite que os microrganismos sejam ainda mais transmissíveis. Combinando estas condições com uma imunidade baixa, os vírus, bactérias e fungos se proliferam no organismo, agravando as doenças para quadros mais severos em comparação a quando o clima está calorento.

O otorrinolaringologista Dr. Aldo Dias (CRM/SC 3704) cita que as principais doenças conhecidas como ‘ites’ são: faringite, amigdalite, rinite, sinusite e otite. Cada uma delas tem suas particularidades, o que às torna diferentes umas das outras, mas às vezes, podem apresentar sintomas parecidos. Por isso, é importante conhecer os sintomas e tratamentos para que nenhuma viagem de férias ou fi m de semana em família seja atrapalhado.

FARINGITE

A faringite é um tipo de inflamação que afeta a faringe, uma estrutura do corpo que conecta o nariz e a boca à laringe e ao esôfago, fazendo parte do sistema respiratório e digestório. A doença tem como característica principal uma vermelhidão na garganta e a dor ao engolir, sem rouquidão, diferente do que acontece em uma laringite, que apresenta rouquidão ao falar e não produz dor. “Ela pode ser causada por refluxo ou devido à presença de vírus, bactérias ou fungos, como o vírus Epstein-Barr, ou mononucleose transmitida pelo beijo”, explica o otorrino. Nesta condição, é rara a presença de febre.

AMIGDALITE

A doença infecciosa que atinge as amígdalas, órgãos que ficam no fundo da garganta e fazem parte do sistema de defesa do organismo, é chamada de amigdalite. O sintoma mais comum é a dor de garganta, sendo possível também a presença de febre e salivação. “Amigdalites apresentam uma dor mais intensa, geralmente com placas brancas na garganta, dor ao engolir e febre”, compartilha. Neste caso, a infecção também pode ser causada por bactérias e vírus, ou pela associação dos dois microrganismos.

RINITE INFECCIOSA E RINITE ALÉRGICA

A rinite é uma inflamação da mucosa nasal, tecido mole que reveste o interior das narinas e pode apresentar três quadros inflamatórios: a rinite infecciosa, vasomotora e a alérgica. A primeira é causada por bactérias, vírus ou fungos, contudo é uma condição menos comum. A segunda é causada pelas mudanças de temperatura, ar-condicionado, fumaça, umidade, entre outros fatores. Já a rinite alérgica é a que mais se manifesta, caracterizando-se por coceira, espirros, obstrução nasal e coriza. “Às vezes, a rinite alérgica vem acompanhada de conjuntivite com lacrimejamento, vermelhidão e coceira nos olhos, sendo caracterizada como uma rinoconjuntivite alérgica. Nestes casos, fazemos testes alérgicos (prick test) para a identificação da causa (geralmente ácaros da poeira ou pelo de cão ou gato). Ao identificarmos a causa, o tratamento é feito pela imunoterapia com vacinas específicas”, explica.

SINUSITE

Consistindo em uma inflamação dos seios da face, a sinusite causa dores faciais, na cabeça e a obstrução nasal com ou sem corrimento. Suas características são semelhantes às da rinite e é comum os pacientes a confundirem com uma sinusite, enxaqueca ou cefaléia tensional (dor de cabeça causada por ansiedade ou estresse).

OTITE

As otites consistem em infecções e inflamações do ouvido, que causam incômodo e dor ao paciente, bem como perda auditiva e a sensação de ouvido tampado, semelhante ao que acontece quando se sobe a serra. Elas podem ser divididas em externas e médias. As externas são causadas por cotonetes e provocam dor e a sensação de ouvidos tampados; podem gerar descamação como caspa e com pus. As médias apresentam um grau de dor maior, ouvidos tampados e perda auditiva. A complicação mais frequente é pus com ruptura do tímpano, levando à cronicidade.

Existem tratamentos para todas as ‘ites’, contudo o Dr. Aldo Dias contra indica a automedicação. “Se os sintomas persistirem, procure um clínico geral ou um pediatra. O médico encaminhará os casos graves ao otorrinolaringologista, especialista em ouvidos, nariz e garganta”, esclarece. O especialista alerta que nem sempre é possível fugir destas doenças, mas os devidos cuidados podem evitar a contaminação. A primeira é proteger o organismo dos microrganismos causadores, no caso dos vírus e bactérias é importante higienizar as mãos frequentemente e evitar ambientes lotados. Quando a causa for alérgica, manter os ambientes limpos sem poeiras, pelos de animais e ácaros, reduz significativamente as chances de contrair uma rinite, por exemplo. Além disso, é importante evitar mudanças bruscas de temperatura, umidade do ar, o uso constante de ar-condicionado e manter o sistema imunológico fortalecido tanto para a prevenção quanto para uma recuperação mais rápida dos sintomas.

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