
Os cabelos possuem um papel simbólico em nossa história e cultura. Representaram a força de Sansão na luta contra os filisteus. Na antiguidade, eram símbolo de poder, e diz ainda a mitologia que as mechas da deusa Ísis tinham o poder de proteger e devolver à vida. Cabelo é força, é vitalidade e transformação. Apaixonada pelo poder que os fios possuem sobre o ser humano, a biomédica e enfermeira Carla Morante vem dedicando sua vida à saúde capilar, transformando a trajetória de muitos pacientes, que assim como as figuras históricas, encontraram um renascer em suas madeixas.
Por Stella Bousfield | Fotos Mari Graudin Marina Oliveira | Beleza Rosana Borges e Karina Coutinho
A história da Carla começou há 36 anos, em Cascavel (PR), onde morava com o pai, Antônio Braz Morante Parra (in memorian) – um dono de cartório pelo qual nossa protagonista era totalmente apaixonada, e a mãe, Maria de Lourdes Xavier Morante, uma técnica de enfermagem que lhe inspirou a seguir na área da saúde e ainda hoje é uma parceira de todos os momentos. A família era composta ainda pelo irmão mais velho, Junior, hoje com 48 anos; Luís, 45, e José, 40. Juntos, eles viveram uma vida típica de uma cidade do interior. “Era uma época em que se brincava na rua com os vizinhos. Desse tempo, ainda hoje guardo amizades maravilhosas comigo”, recorda.
A rotina tranquila de cidade pequena foi quebrada com a tomada de decisão da família: mudar-se para Joinville, um lugar onde os parentes da mãe foram morar. “Como o meu pai se aposentou cedo e gostava muito daqui, resolvemos nos mudar também”, explica. Com apenas onze anos, Carla viu um novo universo se abrir à sua frente. Mesmo com os desafios, ela se acostumou bem com as novas amizades que fez no edifício para onde se mudaram. E este foi justamente o motivo da sua maior tristeza nesta transição: morar em apartamento a fez deixar para trás os quatro cães: Rex, Pitucha, Digbi e Rai. “Foi muito triste doar os meus cachorros porque sempre fui apaixonada por animais. Nós morávamos do lado de um açougue, o que atraia muitos animais de rua e eu ficava lá, brincando com todos eles”, diverte-se lembrando. Por esta razão, por muito tempo pensou em fazer medicina veterinária, mas logo percebeu que gostava da área de saúde, sim, mas preferencialmente da humana.
AMOR MAIOR
A fase mais difícil da vida de Carla começou por pequenos lapsos de memória. O pai, Antônio, sofreu uma doença degenerativa que o prendeu a uma cama de hospital por um longo período, até seu falecimento, aos 62 anos. “A doença do meu pai abalou todos nós. Ele era o chefe da família, um homem muito inteligente, bonito, vaidoso, trabalhador e muito bravo também”, descreve. Dele, Carla só guarda doces lembranças. “Meu pai era maravilhoso. Como ele era o dono do cartório, eu tinha livre acesso ao seu escritório. Adorava brincar na máquina de escrever, fingia que redigia documentos muito importantes, assim como ele fazia. Pedia para ele carimbar e assinar, como se estivesse validando o que estava escrito. Na verdade, o que eu mais fazia era escrever cartas dizendo o quanto o amava”, recorda-se.
Afetuosa, Carla também destinava as cartinhas de amor à mãe, com quem tem uma estreita relação ainda hoje. “A minha mãe é fantástica. Na falta do meu pai, ela sempre cuidou de todos nós com muito amor, carinho e dedicação. Sempre esteve ao meu lado me apoiando e incentivando. O meu crescimento pessoal eu devo muito a ela”, elogia. Formada em um curso técnico de enfermagem, foi quem incentivou Carla a buscar a área da saúde como profissão. “Ela sempre dizia para eu fazer enfermagem, mas eu sempre retrucava: ´Meu Deus, imagina! Só de ver sangue eu já passo mal”, falava convicta.
A VOCAÇÃO DE CUIDAR
O tempo passou e a tricologista percebeu que a mãe estava certa. Quando era criança, até pensou em seguir carreira na moda, já que passou a infância na loja da família e fez curso para trilhar uma possível carreira no mundo fashion. “Quando era pequena, desfilei para algumas lojas. Sempre gostei de moda, mas essa vida de ‘modelo’ não era para mim porque sempre fui muito tímida”, justifica. Com a doença do pai e prolongado convívio com profissionais da área de saúde, Carla passou a ver este universo com outros olhos. “Eu fui sendo tocada por este compromisso com a vida. Fiquei sensibilizada em ver profissionais de saúde cuidando tão bem de pessoas que eles não conheciam, não tinham convívio, nem intimidade e afeto, simplesmente porque se importavam com elas”, explica.
Escolher a profissão foi um desafio, não menor do que descobrir a maternidade aos 17 anos. “Ter um filho na adolescência pode ser uma experiência extremamente transformadora. A mudança súbita de prioridades e a necessidade de me tornar mais madura rapidamente foi desafiador”, recorda. Apesar do susto, Carla pode contar com a forte rede de apoio da família, o que fez toda a diferença neste momento de tantas incertezas. A filha Sofia é hoje uma fonte inesgotável de amor e inspiração em sua vida. “Ela trouxe um propósito profundo e um sentido de responsabilidade que me transformaram de maneiras que eu nunca tinha imaginado. Ela é a minha maior alegria, meu orgulho e o impulso que me faz seguir em frente, mesmo nos dias mais difíceis. Minha filha é, sem dúvida, o meu maior tesouro e a personificação do amor verdadeiro em minha vida”.
UNIVERSO CAPILAR
Carla escolheu o mundo da enfermagem, que foi cursado na Universidade do Oeste do Paraná. Acabou se apaixonando pela área cirúrgica, mais especificamente pelo pós-operatório dos pacientes. Somando o estágio e as primeiras experiências na área, atuou seis anos como assistente de plástica facial e transplante capilar. Foi se interessando cada vez mais pelo mundo dos cabelos, sentindo que estava no caminho certo. “Eu fui aumentando o meu domínio sobre o universo capilar, conhecendo cada vez mais os tratamentos alternativos aos transplantes. Percebi, então, que nem todo paciente precisaria passar por um procedimento cirúrgico. Com isso, procurei me especializar na área da tricologia”, explica. Um momento divisor de águas em sua vida profissional foi a viagem realizada aos Estados Unidos em parceria com um médico especialista, onde aprendeu as mais modernas técnicas em tricologia. “A experiência foi incrível. O curso foi muito completo, tanto na parte teórica quanto prática. Aprendemos todas as técnicas de cirurgia mais atuais e eficazes para o procedimento, principalmente na minha área de assistência. Fiquei completamente apaixonada por esse universo. Pode-se dizer que foi, sim, amor à primeira vista”, declara. O conhecimento, porém, despertou novos questionamentos para Carla. “Eu acreditava que não era possível ter só esse tipo de oferta de cirurgia para os pacientes. Sempre pensava: ‘deve ter algo a mais que posso fazer para trazer saúde, de uma forma que possa ser para todos´”. A partir desta questão que instigou a nova fase de sua vida profissional, buscou especialização na área da tricologia e, desde então, nunca mais parou.

Certificado internacional em Tricologia pela Harvard
NASCE A DRA. CARLA MORANTE
Focada no novo segmento, Carla Morante abriu novos horizontes em sua vida profissional. Buscou aprofundar seus conhecimentos através de um segundo curso superior. Com a biomedicina, conseguiu ter melhor entendimento clínico dos exames solicitados, maior abrangência do corpo humano e mais habilidades para entender seus pacientes. “A ciência da biomedicina é linda. O nosso corpo é perfeito”, elogia. Como busca a atualização incessantemente, a lista de cursos realizados é extensa. Já fez capacitação em Assistência em Transplante Capilar, nos Estados Unidos. Possui certificado internacional em Tricologia – IAT – na Austrália. Cursou Anatomia Avançada em Harvard, Boston. Fez Tricologia Clínica pela Faculdade Facec (Faculdade de Administração e Ciência Econômicas de Cianorte , no Paraná), duas pós-graduações em Estética Avançada, uma pós-graduação em Técnicas de Estética, teve formação avançada pela Academia Brasileira de Tricologia em Terapia Capilar, além de um curso avançado em Anatomia Topográfi ca pelo Hac e Facop – Faculdade do Centro Oeste de São Paulo.
Carla aplicava todo este vasto conhecimento em uma clínica especializada onde atuava, mas decidiu trilhar o caminho do empreendedorismo. Em 2019, abriu as portas da Clínica Carla Morante Terapeuta Capilar. “Eu senti a necessidade de ter o meu próprio espaço. Claro que fazer esta transição me deu muito medo no começo, mas eu sabia o que estava fazendo e tinha uma vontade muito grande de poder ajudar e fazer algo pelas pessoas”, explica. Em janeiro de 2020, depois de se lançar ao seu projeto de vida, Carla teve que enfrentar o grande desafio da pandemia. “Foram desafios significativos naquele momento. Para superá-los, adotei algumas estratégias essenciais. Foquei na flexibilidade, adaptando meu modelo de negócios para atender às novas demandas e restrições, como atendimentos on-line e maior cuidado sanitário no atendimento presencial, assim que foi liberado. Também investi em tecnologia e marketing digital para alcançar clientes de forma mais eficiente e manter a comunicação constante com eles. E, por fim, mantive um olhar atento às oportunidades”, pontua. A combinação de adaptação e inovação, segundo ela, foi fundamental para driblar os desafi os do período e manter seu empreendimento em crescimento. Porém, o que era um motivo de preocupação, acabou tornando-se uma oportunidade: os pacientes que contraíram Covid-19 tiveram quedas capilares significativas, aumentando muito a demanda de tratamento capilar.
CAIR CABELO É NORMAL?
Atualmente, Carla trata todas as disfunções do couro cabeludo, como patologias, queda e calvície para, então, fazer a recuperação da fibra capilar. “Os pacientes que chegam aqui já tentaram de tudo para melhorar seu cabelo. Eles costumam dizer: ‘Você é minha última esperança’. O problema é que eles esperam piorar muito a situação para pedir ajuda”, constata. Ela vem transformando a vida do seu público, formado majoritariamente por mulheres, responsável por 60% dos atendimentos. “Algumas pessoas têm a percepção que somente os homens passam por problemas capilares, mas não, muitas mulheres também sofrem com isso. E noto também que os pacientes estão cada vez mais jovens, em torno de 17 a 19 anos”, informa. Os motivos para a perda de cabelo são vários. Um deles é o fator genético: a calvície pode percorrer até quatro gerações. Mas também pode acontecer por estresse, patologias, alterações hormonais, cirurgias, pós-operatório, má alimentação, excesso de químicas, tabagismo, uso de medicações, estilo de vida, pós-parto e amamentação, pausa de anticoncepcional, cirurgia bariátrica, uso de hormônios, alterações emocionais (depressão) e menopausa. Mas qual seria a hora de procurar um tricologista? Segundo a especialista, é normal ter uma fase de queda de cabelos, que normalmente coincide com o outono, onde há uma perda diária de até 120 fios. Passada esta temporada, é preciso ficar atento se a queda persistir. “É normal mexer ou pentear o cabelo e alguns fios caírem. O errado é acordar e ter fios de cabelo na cama, tirar da cadeira onde você sentou ou por aonde mais você for, por exemplo. Isto é completamente errado”, alerta.
IMPLANTE: O ÚLTIMO RECURSO
Quem não ouve os primeiros sintomas do organismo acaba sofrendo os efeitos da calvície que, segundo a especialista, nem sempre precisa de um transplante capilar para ser resolvida. “Existem muitos tratamentos antes do transplante capilar. Os procedimentos cirúrgicos são indicados apenas para as calvícies mais avançadas, que não têm mesmo a possibilidade de recuperação”, orienta. Nos casos onde o transplante é inevitável, Carla busca a parceria do médico Dr. Luis Eduardo Pires para conduzir os procedimentos, onde atua como assistente. Ela avalia que a sua atuação na assistência ao transplante capilar tem agregado muito aos pacientes que realizam o tratamento. “Por não ser a cura da calvície, esta opção entra como um plus nos procedimentos, ajudando muito no resultado da cirurgia”, defende.
Este mercado de transplante capilar, segundo ela, tem crescido significativamente nos últimos anos, impulsionado pela demanda crescente por soluções para a calvície e outros problemas capilares. “É um setor dinâmico e competitivo, com avanços tecnológicos contínuos que tornam os tratamentos mais eficientes. Essas novidades têm contribuído para resultados mais naturais e satisfatórios”, constata.
MENTE SADIA, CABELO SAUDÁVEL
O cabelo é um espelho da alma. Ele revela quando algo não vai bem com a saúde. Por isso, Carla realiza um atendimento individualizado e personalizado para entender a realidade do paciente de forma integral. “Eu preciso conversar com o paciente para conhecer a sua trajetória, entender individualmente a sua dor”, detalha. Com a detecção do problema, uma equipe multidisciplinar entra em ação para ajudar os pacientes a elevar sua saúde. “Em muitos casos, encaminhamos os pacientes para um psicólogo, já que existem pessoas extremamente saudáveis, mas com o emocional completamente abalado. Quando percebemos que a disfunção é hormonal, encaminhamos para um endocrinologista. Para compreender o paciente por completo, preciso de outros profissionais para complementar o que eu faço”, cita.
Como a sinceridade é uma das suas marcas registradas, a especialista sempre deixa claro para os pacientes que calvície não tem cura, mas sim tratamento, cujo sucesso depende do seu comprometimento. “Eu deixo claro que o estilo de vida deles é essencial para a manutenção de um bom cabelo, que é um marcador biológico do organismo. O folículo capilar é um aporte vitamínico muito difícil de ser alcançado. Se a pessoa não tem hábitos saudáveis, não vai ter um cabelo bonito”, esclarece.
UMA NOVA VIDA
Depois de cinco anos de atuação em sua clínica, Carla já transformou a vida de muitas pessoas através da renovação capilar. Ela lembra com carinho o caso de uma paciente de 24 anos que chegou ao seu consultório com um quadro capilar deficiente. “Era uma menina linda, mas com um cabelo ralo, fraco, muito debilitado. Depois de dois anos de tratamento, o cabelo dela ficou lindo e isso acabou transformando todo o seu jeito de ser. Ela passou a se sentir melhor, conseguiu o emprego que queria porque o cabelo é isso: é autoestima, é confiança, traz esta força que precisamos para viver”, garante.
Permitir esta transformação é a maior motivação da tricologista. “Transformar vidas através do
meu trabalho é uma experiência profundamente gratificante e inspiradora. É um privilégio saber que minhas habilidades e dedicação podem contribuir positivamente para o bem-estar e a felicidade de alguém. Ver a confiança e a alegria no rosto de uma pessoa, sabendo que eu fiz parte dessa mudança é o que me motiva a continuar me esforçando e buscando sempre o melhor. Agradeço a Deus, todos os dias por me permitir cuidar e ajudar as pessoas. Não faço nada sozinha, Ele me abençoa para olhar pelo próximo”, agradece.
ALEGRIA: O MELHOR CARTÃO DE VISITAS
A realização profissional e pessoal de Carla fazem da alegria o seu principal cartão de visitas. Quem chega ao seu consultório, sempre é bem acolhido pelo seu humor contagiante. “Sou uma pessoa feliz. Meus pacientes brincam que sempre estou com um sorriso no rosto”, comenta. Por amar o seu trabalho e a sua missão, a especialista busca sempre praticá-la da melhor maneira, por isso se autodenomina como uma pessoa curiosa e determinada, que sempre busca aprender e crescer. Se ela valoriza o trabalho, também não abre mão dos momentos de lazer. Quando não está transformando vidas, Carla gosta de estar perto da família e dos amigos. A companhia da filha é prioridade sempre, por isso faz questão de buscá-la na faculdade diariamente. Só abre mão da missão quando está viajando, passando o bastão para a mãe, que é uma presença constante em sua vida. Para relaxar dos compromissos profissionais, gosta de viajar e praticar esportes, principalmente o boxe, que pratica há 15 anos. “Acredito na importância do autocuidado e procuro sempre dedicar um tempo para atividades que promovem meu bem-estar físico e mental”, conta. Se ela cuida do físico, também não abre mão da vida espiritual. Católica, frequenta a missa todos os domingos para estar, como ela mesmo diz, sempre próxima de Deus. “Eu me esforço para ser uma presença positiva na vida daqueles ao meu redor. Tenho meus defeitos e desafios, mas encaro cada um deles como uma oportunidade de evolução. No fundo, sou alguém que acredita no poder das pequenas ações para fazer a diferença, que se empenha em ser a melhor versão de si mesma a cada dia”.
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