ARTE QUE INSPIRA, HISTÓRIA QUE IMPACTA VIDAS

A artista Adri Volpi possui uma longa história no mundo das artes. Já integrou a coleção
de cartões do UNICEF, passou por problemas de visão devido a uma doença rara e se
aprofundou no universo dos defi cientes visuais como uma forma de gratidão. Conheça a
personalidade que leva seu trabalho mundo afora, oferecendo novas oportunidades para as
pessoas conviverem com a beleza e realização do mundo das artes.

Por Heloisa Krzeminskia | Foto Divulgação

A artista plástica Adri Volpi desenvolvendo uma nova obra

“Penso que sempre quis ser artista”, conta Adriana Córdova Volpi Fauth, 51 anos. A artista plástica formada pela UDESC nasceu em Curitibanos, cidade localizada no interior de Santa Catarina. Desde muito cedo, sentia uma grande paixão pela arte. Em sua vida, sempre esteve cercada por pessoas que a estimularam a seguir sua vocação. Primeiro foram os pais, irmãos e os avós, e depois o marido e os dois filhos. “Vim de uma família que sempre valorizou a arte, a leitura e a cultura. Na família que construí com meu marido, sempre utilizei a arte na educação dos nossos filhos como uma grande ferramenta no desenvolvimento do pensar de forma criativa”, compartilha. Hoje, ela não se imagina fazendo outra coisa senão se dedicar à carreira de artista. “É muito boa a sensação de ser recebida em lugares onde sou reconhecida pelo traço, pelo estilo, pela característica própria de tratar temas sérios com ludicidade, amor e leveza, pela forma que uso as cores e até pela maneira como quebro algumas regras formais”, expressa.

ARTE COM PROPÓSITO

Em 2024, a carreira dedicada à pintura completa vinte anos; mas como artista, ela já soma 34 desde a formação, colecionando trabalhos em diferentes áreas, experiências em dezenas de países e pessoas que carrega com carinho no coração e na memória. Adri chegou em Joinville no ano de 1999, e aqui despertou para a pintura como uma nova carreira a seguir. “Trabalhei por bastante tempo como fotógrafa, mas na infância dos meus filhos comecei a pintar as paredes dos quartos deles como forma de arte-educação e, em seguida, a fazer quadros. Percebendo que as pessoas estavam pedindo para eu pintar ainda mais, comecei com quadros artesanais, até montar uma lojinha em Itapema, onde passávamos a temporada de praia na casa dos meus pais. Foram vendidos mais de 900 quadros de pequeno formato pintados à mão”, relembra.

Diante do sucesso, a artista estruturou sua carreira artística com a orientação profissional de seu antigo professor Osmar Pisani, e pintou quadros que marcaram sua vida e a de muitas pessoas, como foi o caso do “Você ilumina meu dia”, uma obra que ganhou o mundo ao compor a coleção de cartões do UNICEF. Com o resultado, Adri se voltou cada vez mais à arte com propósito, dedicando seus quadros à promoção da inclusão, principalmente relacionada aos deficientes visuais, em exposições com pinturas em alto relevo ou sobre conscientização. Além disso, ela passou a atuar como voluntária em instituições como Ajidevi (Associação Joinvilense para Integração dos Deficientes Visuais) e para o Hospital Infantil Dr. Jeser Amarante Faria de Joinville, uma parceria de nove anos que mantém até hoje.

Workshop de ilustração ministrado pela artista na Hope & Justice Foundation, nos Estados Unidos

NOVOS PROJETOS E DESAFIOS

Atualmente, a artista vive uma rotina corrida entre um compromisso e outro. “Tenho a felicidade de trabalhar em alguns projetos especiais, e vou desenvolvendo-os de forma simultânea”, conta. Ela destaca que tem trabalhado em uma nova exposição sobre viajantes e imigrantes, inspirada nas ilustrações de seu sketchbook durante viagens e trabalhos. Esta não é a primeira vez que Adri Volpi trabalha com o tema. Ela contabiliza quatro de suas exposições individuais, todas em Nova Iorque, sobre as suas impressões dos lugares por onde passa e sobre as pessoas que chamam a sua atenção, sempre trazendo uma visão sobre o lugar de onde veio: o Brasil. Desta vez, a série se chamará “Voyageurs” e mais do que retratar pessoas viajando, ela aborda o deslocamento, modo de vida dos viajantes e os sonhos que carregam consigo, seja os que fazem por lazer ou os imigrantes que buscam novas oportunidades em terras estrangeiras. “Através deste tema, quero ir
além de desenvolver novas formas à minha técnica. Farei uma espécie de retrospecto do meu trabalho, revisitando os registros que venho fazendo sobre isto há muitos anos, guardados nos meus cadernos de artista”, explica.

Além disso, está dando continuidade a trabalhos que iniciou na temporada de dois meses que passou nos Estados Unidos esse ano, como a exposição sobre natureza no Centro Cultural City Arts, uma oficina de arte na Hope & Justice Foundation, para mulheres e crianças vítimas de tráfico humano e violência doméstica, e workshops sobre Urban Sketches. “Os nichos de trabalho aos quais me concentrei também estão esticando suas asas por lá, com novas propostas de continuar trabalhando. É muito bom sentir o respeito que o exterior tem com o meu trabalho e a abertura e receptividade com a arte urbana, estilo que me identifico bastante e que já é considerado uma ramificação importante da Arte Contemporânea”, completa.

Por fim, Adri Volpi também cita o desenvolvimento da campanha de 2024 do McDia Feliz, com
artes exclusivas criadas por ela para o Hospital Infantil de Joinville. Neste ano, a temática é “O
cuidado que transforma”, pensado em conjunto com toda a equipe do hospital, principalmente com os profissionais do setor de oncologia, e que traduz a importância de um tratamento humanizado, profissional e diferenciado no processo de cura da criança e no acolhimento e recuperação da família do paciente como um todo. “A minha expectativa para a campanha deste ano é que seja um sucesso e que possa sempre continuar contando com o apoio de toda a comunidade joinvilense e de pessoas de fora da cidade que vêm para somar forças”, diz.

 

LEGADO

A fé em Deus e o amor pela família são a força motriz que impulsionam a artista em seu trabalho
diário. Inspirada por eles, busca transmitir em suas pinturas amor, carinho e harmonia a cada pincelada de cor. Os prêmios que já conquistou ao longo de sua jornada, como o “Mulher destaque de Santa Catarina” , o “Top Blog” na categoria Arte e Cultura e o “Troféu Atitude de Ouro” do Instituto Ronald pela sua parceria com o Hospital Infantil, são um resultado da mensagem que ela guarda dentro de si. “Acredito que ter bons valores e saber expressar isto pode fazer a diferença na vida das pessoas e de quem está em volta”, defende.

Para ela, disseminar a arte e cultura é uma ferramenta poderosa para guiar crianças e adolescentes a abrir suas mentes e, assim, construir um futuro melhor. “Quero que minha forma de expressão possa colaborar para ampliar o repertório dos estudantes que pesquisam meu trabalho nas escolas, especialmente nas comunidades que mais precisam e que, dificilmente, encontram uma base com valores positivos em casa”, explica. Esse trabalho cuidadoso que Adri tem feito em seus mais de trinta anos de trabalho, permite que ela e a sociedade enxerguem com mais clareza o impacto que a arte tem na vida das crianças. “Quero deixar um legado que só o trabalho dedicado e contínuo consegue fazer florescer. Tenho a certeza e convicção de que as experiências proporcionadas serão fundamentais para a formação destes indivíduos, gerando assim seres mais conscientes e criativos”, complementa.

E é de forma positiva, alegre e leve que a artista gosta de ver a vida. Transformando as dificuldades
em obras de arte inspiradoras, e os momentos alegres em gratidão, para continuar levando sua
arte mundo afora. “Percebo com alegria que hoje sou convidada para os mais variados acontecimentos e vista não apenas como artista plástica, mas pelo conjunto da minha obra; pelos tantos anos dedicados aos estudos e pesquisas que sempre se ampliam, pela missão de arte-educadora na qual me graduei e estou sempre atuando, seja através de promover oficinas de arte e palestras em escolas e diferentes nichos, ou ainda, como a colunista de jornal que sempre escrevi sobre arte, cultura e design, e também pelo voluntariado em diferentes setores de necessidades sociais”, finaliza.

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