
A psicóloga Pricilla Buzzachera é uma super admiradora da teoria e da prática clínica Junguiana. Ela é tão fã que vai inaugurar, em breve, um centro de estudos e pesquisas em Psicologia Analítica, Psiquiatria e Filosofia. Acompanhe comigo a trajetória desta profissional que sempre teve como desafio questionar e compreender a alma humana.
Hoje eu vou contar para vocês a história de uma garota incrível, que é apaixonada pelo que faz. Pricilla Buzzachera, 47, não sabia, mas desde pequena levava o maior jeito para ser psicóloga. Era sempre muito reflexiva, questionadora e gostava de tudo o que envolvia a alma humana. Ela lembra, que na infância, sempre muito curiosa, perguntou ao pai por que as estrelas não caíam na Terra. “Ele falou que Deus havia amarrado cada uma das estrelinhas no céu, por isso elas não cairiam, pois ficavam firmemente penduradas”, recorda com afeto. Ela chegou em Joinville aos 14 anos, vinda da pequena Catanduvas, próxima a Cascavel (PR), onde viveu sua infância e o início da juventude. Como toda adolescente, sofreu muito com a distância dos amigos e a nova convivência na cidade grande. Aliás, a transição marcou muito a sua vida.
Ela veio para Joinville seguindo os passos da irmã Ariela, que cursava aqui o Ensino Médio. Depois de uma passagem por Itajaí – onde a irmã tinha sido aprovada em Direito – Pricilla também passou para o vestibular. Acha que foi para Psicologia? Não, a nossa personagem escolheu inicialmente o curso de Terapia Ocupacional, na ACE – Faculdade Guilherme Guimbala, e acabou se apaixonando pela disciplina de Psicologia Geral. Quando eu pergunto a ela o que mais chamou atenção para a nova área, diz ter sido o olhar diferenciado da psicologia sobre o ser humano, desde seu comportamento aos sentimentos mais profundos. “Eu sempre tive curiosidade de saber o que as pessoas pensam e sentem, mas era algo que eu ainda não entendia como profissão”, explica. Já cursando Psicologia, começou uma nova história.
Depois que Pricilla e Ariela retornaram de Itajaí, o irmão mais novo, Sergio Paulo, também veio estudar em Joinville. Em seguida, vieram seus pais, Sergio e Marli. Deste modo, a família voltou a se reunir. Quando não estava em sala de aula, ajudava na administração dos negócios da família. Ao mesmo tempo, começou a fazer terapia na abordagem Junguiana (lê-se iunguiana), o que a influenciou na escolha por esta linha de estudo e atendimento. Após sua formatura, atuou como voluntária no CENEF (Centro de Estudos e Orientação da Família), mas tinha, também, outros planos. Foi aí que resolveu fazer uma viagem para a Itália. Isso mudaria a sua vida, mesmo sem ter tirado os pés do chão.
OS TROPEÇOS PELO CAMINHO
Sabe aqueles acontecimentos que a gente acha que é só coisa de filme? Pois é, aconteceu com Pricilla e seus pais. A caminho do aeroporto, o carro onde estavam capotou e caiu na represa que fica na Serra de Curitiba. Pricilla fi cou presa pelo pé e só conseguiu sair porque os vidros estouraram embaixo da água. “Eu sentia que estava morrendo, foi a experiência mais forte da minha vida”, explica. O acidente, que representou um tropeço em sua trajetória, na verdade trouxe um grande aprendizado. Para ela, “foi uma releitura da vida espiritual, um despertar da vida que transcende a matéria”. Como nossa personagem é muito obstinada, meses depois da recuperação ela acabou realizando a viagem com seus pais. Passou três meses em Perugia, na Itália, estudando italiano.
Ao retornar para o Brasil, a psicóloga voltou com força total à sua missão de vida. Fez uma segunda pós-graduação em Saúde Mental, Psicopatologia e Psicanálise pela PUC de Curitiba (antes ela já tinha feito uma em Psicopedagogia). Na mesma cidade, se especializou em Psicologia Analítica e Religiões Ocidentais e Orientais, no Instituto de Psicologia e Religião. Estudiosa, emendou um mestrado em Filosofia na PUC da capital paranaense. Após um intenso processo seletivo, foi aprovada para a Formação de Analista pelo Instituto Junguiano do Paraná, também em Curitiba.
O X DA VIDA
Completamente apaixonada pela Psicologia Analítica, ela recebeu o título de analista junguiana, tornando-se, naquele momento, uma das quatro especialistas no assunto aqui em Santa Catarina. Para a gente entender melhor: esta metodologia tem como idealizador o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875-1961) e se trata de uma abordagem que visa o desenvolvimento de uma consciência autorreflexiva, desse modo, o indivíduo tem melhores condições de vivenciar o processo de autoconhecimento. Segundo ela, estar inserido no mundo signifi ca ter de lidar com sua própria história, seus próprios complexos, suas próprias dores e amores. Quanto melhor o indivíduo se relacionar consigo mesmo, tanto melhor será com o outro. Ela conta que existem algumas técnicas dentro da Psicologia Analítica que são aplicadas no consultório, como o trabalho com sonhos, imaginação ativa e o Sandplay, uma caixa de areia na qual o paciente cria cenários que representam seu estado psíquico.
Ela contribuiu para difundir esta teoria em nosso estado: junto com outras três analistas, fundou o Instituto Junguiano de Santa Catarina – IJUSC, que é filiado à Associação Junguiana do Brasil – AJB e à International Association of Analytical Psychology – IAAP, com sede em Zurique, na Suíça. Obstinada como sempre, não mediu esforços para fortalecer esta linha em Joinville, inicialmente com grupos de estudos e cursos. Em 2016, apresentou um projeto de pós-graduação em Psicologia Analítica para a Univille. Foi aceito! Hoje o curso já está em sua quarta turma. Além de ter sido a fundadora, também é coordenadora e docente. Esse é o único curso de especialização nesta área no estado de Santa Catarina. Atualmente, ela também é diretora de ensino do Instituto Junguiano de Santa Catarina- IJUSC e professora de seminários realizados pelos institutos Junguianos na região Sul. Além disso, é psicóloga clínica e está iniciando sua trajetória na escrita. É coautora de três livros com colegas e se prepara para seu primeiro livro solo, fruto da sua experiência como voluntária durante as enchentes do Rio Grande do Sul. “Eu fiquei quinze dias trabalhando num abrigo para mulheres. Neste livro, quero compartilhar as experiências que tive com um olhar psicológico, abordando os limites das fronteiras emocionais dessa tragédia”, cita.
O QUE ESPERAR DO FUTURO?
Para que mais pessoas possam usufruir além dos processos de transformação que a terapia Junguiana proporciona, Pricilla tirou do papel um antigo sonho que nasce agora no mês de novembro, com inauguração prevista para março. O lugar se chama Síngula, que em latim signifi ca ‘detalhe’. “Escolhi este nome porque a vida acontece justamente no detalhe”, diz ela. O espaço fi ca localizado na esquina das ruas Quinze de Novembro e Padre Anchieta, com dois pavimentos. No primeiro, haverá quatro consultórios, sendo três de psicologia e um psiquiátrico, com os profissionais: Pricilla Buzzachera (CRP 12/03152), Tatiana Martins Jacob (CRP 12/1580), Laira Taísa Stock (CRP 12/17777) e Dr. Cristiano Leal (CREMESC 9818/RQE 4414). Também terá a contribuição para o Centro de Estudos o psicólogo e fi lósofo Jairo Ferrandin (CRP 06/149256), atualmente residente em Campinas (SP), mas com atendimento on-line. Já no segundo piso, fica o auditório para aproximadamente 60 pessoas, que funcionará como um local de incentivo ao conhecimento. “O Síngula tem por objetivo oferecer um espaço aconchegante para estudos relacionados à Psicologia Analítica, Psiquiatria e Filosofia. Está adequadamente equipado para oferecer cursos, palestras e eventos de pequeno porte”, explica, lembrando que o ambiente poderá ser locado por quem tiver interesse no tema. Além de estudos e pesquisas, ela pretende aproveitar o local para fazer noites culturais embaladas ao som do seu piano, entre outros instrumentos que ofereçam agradáveis noites para trocas de conhecimentos, culturas e sabores.
Assim como eu, a Pricilla está na casa dos 40 anos e é muito curiosa com todas as mudanças que a vida apresenta depois desta idade. Por isso, pretende focar seus estudos no tema acerca da segunda metade da vida. “O envelhecimento tem sido um problema generalizado. Não são apenas as mulheres que estão assustadas com essa fase da vida, os homens também estão. Todos querem viver muito, mas não querem envelhecer. A falta de entendimento sobre isso tem provocado sérios problemas emocionais. Quando compreendemos a beleza da maturidade e aceitamos a morte, o detalhe da vida impõe sua grandeza. A experiência que eu tive no acidente me trouxe, sutilmente, para esse lugar de entendimento”, comenta. “A morte faz parte da natureza da vida. A partir do momento que a gente nasce, estamos vivendo e morrendo ao mesmo tempo, todos os dias”. E assim Pricilla segue, trabalhando, estudando, fazendo acontecer e sempre tentando compreender os mistérios da alma, seja a sua ou a de seus pacientes. Afinal, como diz Jung: “quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta”.
ONDE ENCONTRAR:
Edifício Medclinicas
Rua Blumenau, 178 – Sala 208
@pricillabuzzachera
(47) 98807-1092